Sua mãe o
acordou perguntando se estava bem, sem responder, olhou a hora no celular que
ficava próximo a cabeceira de sua cama. Sentou-se, a respondeu, retomando a
consciência, se deu conta de que estava um tanto atrasado. Assim como costuma
fazer, pensou naquela pessoa que o já inspirou muito e que talvez inspire
ainda, mas não da mesma maneira, foi para o banho que usualmente utiliza para
meditar, porém hoje, não o fez... Olhou pela janela, viu a garoa, se imaginou
andando e concluiu, vou de carro...
Ao fechar o
portão, ela o aconselha e de longe se despede desejando-lhe um bom dia. No
caminho ouviu na rádio sobre o transito, protestos, economia, decidiu não ir
até seu destino de carro e sim, deixar na metade do caminho, evitando o
trafego. Dobrou a esquina, avistou a
vaga, estacionou, saiu do carro, acionou o alarme e ao levantar os olhos para
investigar quem estava na rua, avistou a mesma pessoa que pensou momentos
antes.
Saudade,
carinho, raiva, mágoa e quem sabe até o próprio amor o fez travar diante da
situação, por instinto, saiu em disparada sem olhar para trás.
Atravessou a
rua, avistou o trem chegando, correu, sentou-se, olhando o celular para tentar
disfarçar a ansiedade e sem levantar os olhos a procura de nada, nota que quem
ele tanto temia, estava na sua frente.
Esse temor,
não é despropositado, descomedido ou sem fundamento, é um temor com base nas
situações do passado, temor de falar algo, ou fazer algo que colocasse tudo a
perder/ganhar/empate...
Ainda com os
olhos abaixados, ouve:
-Oi, bom dia,
tudo bem? Você não me viu? Fiz bem de ter vindo falar com vc?
-Vi, tudo
bem...
Tirou os
fones de ouvidos e guardou o celular para tentar uma conversa com aquela pessoa
que pareceu ser superior, talvez passando por cima dos mesmos medos... Falaram
sobre trabalho e se estavam bem durante o caminho e pela primeira vez, não
desviaram a conversa para assuntos desagradáveis, mas mesmo assim, a situação
pareceu um tanto incomoda para os dois...
-Rezei por
você ontem;
-Comentei de
você ontem;
Chegaram ao
seu destino, silêncio, sobem e descem escadas, andam em sincronia de passos,
assim como antes. Um deles, lança um olhar e movimenta o corpo como se
esperasse um abraço, o outro resiste, por medo, se despede e vai embora pelo
lado oposto sem olhar para trás, mas com a vontade de retornar, falar que ama,
que sente falta, mas por outro lado, milhões de outras questões, passam pela
sua mente e chega a conclusão de que pensar nisso, por si só, não levaria em
nada...
-Infelizmente
ou felizmente, não sabemos quais os planos de Deus para a gente, mas é fato que
nosso encontro hoje teve um propósito. Propósito esse, que ambos desconhecem...
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