domingo, 18 de abril de 2010

Inexplicável

Hoje pude ter o privilégio de me desligar do mundo, ficar introspectivo, eu e meus pensamentos, angústias, paixões, família... Há muito tempo, não reservava um momento para mim!
Pensei em Deus, o quanto estou afastado Dele, o quanto as pessoas gostam de mim e eu delas... Nesse meu momento, pude sentir uma energia diferente de tudo o que eu já havia sentido, algo inexplicável e poderoso... Pude também sentir meu corpo, as batidas do meu coração e o meu sangue correndo de dentro até as extremidades do meu corpo, o vento na minha face, coisas que geralmente passam despercebidas... Senti vontade de sorrir, também de chorar... Pensei na minha mãe, o quanto ela passou por dificuldades para criar eu e meu irmão, o quanto ela abdicou sua própria vida, para proporcionar uma melhor para nós, pensei o quanto eu sou egoista e ingrato, perto das coisas que ela já fez, faz, e faria por mim...
Pensei, nas pessoas que amei em vão, e nas pessoas que me amaram e não dei o devido valor...
Fiz uma análise de tudo o que aconteceu na minha vida, atitudes que tomei, pessoas que magoei ou fiz feliz, coisas que eu disse, enfim... Isso tudo, é meio que uma tentativa de me conhecer, controlar minhas emoções, minha ansiedade de tudo ou de nada, complexo isso, não? Mas não é!
Um amigo me disse um dia, viver, se relacionar, é fácil, a gente que complica! Mas nem sempre é fácil enxergar o lado fácil da vida, uma vez que você está mergulhado em pensamentos que não te fazem bem ou que não te agregam nada!
Nesse meu momento de hoje, aprendi muito! Mesmo não falando uma palavra com ninguém, só me ouvi...

Bom é isso...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O que é?

Tinha ela uma dor no peito constante, perene. Era acometida todas as noites, na hora em que mais precisava descansar. Os comandos do cérebro sobre o corpo, sobretudo o das suas pernas, eram dissonantes aos do coração, carente como criança assustada.
Queixava-se a moça o tempo todo de uma ausência por ela própria sentida, uma mistura de oco, buraco no peito, saudade-de-não-sei-o-quê. Ou seria uma presença por ela imaginada? Que na verdade nunca existira?
A dúvida rolava cama adentro, coração aos sobressaltos agravados por aquele ponteiro do relógio que nunca fora seu cúmplice. De concreto mesmo, só a imagem da falta. Porque ela mesma, (a falta) , nunca fora vista de fato, de corpo presente em seu quarto, tangível aos olhos, às mãos, silhueta exposta, à sua boca com sede de outra.
Como será que então ela consegue soluçar por aquilo que nunca teve? Era tão absoluta a certeza que havia nascido para aquele sentimento! São as coisas do coração, disse certo dia uma amiga e confidente. Mentira. São coisas da cabeça dessa moça, ainda afoita por não conseguir diagnosticar sua doença diária: o amor.Mentira!
Nobre é reconhecer seu papel - e ele, esse amor, é tão soberbo ao ponto de não se deixar diminuir diante do seu real tamanho. Invade a fronteira do real e do improvável vestindo o véu pontilhado do imaginário. E surge assim como um príncipe; rosas vermelhas em punho. Dá para acreditar nele? Ela diz que sim.
Efeito da doença tão mesquinha que deu no coração dessa moça, que deixou os batimentos que moravam no seu peito iguais aos do cursar do dia. No máximo, sentia uma pontada, tal qual um punhal cravado que insistia em lembrá-la a tal falta daquilo que nunca tivera na vida.
A dor mesmo se revezava entre a direita e a esquerda da cama. Era a procura, no fundo, daquilo que ela ainda não teve, mas que a noite e o perfume emanado das flores dormindo permitiam-lhe sonhar um dia lhe pertencer.

(Ainda não sei quem escreveu)